Ao longo dessas duas últimas semanas acompanhamos, pelos diversos meios de comunicação, uma tragédia que abalou o Rio de Janeiro e nos causou um sentimento de compaixão e indignação pela enormedade de vidas humanas ceifadas por uma fatalidade anunciada.
Depois de fortes chuvas, típico desse período de final de março e início de abril, o Rio de Janeiro passou por momentos de enorme dor e sofrimento. Muitas perdas materiais e, o pior, perdas humanas que são irreparáveis. Porém o que não nos abala é o fato de sabermos que isso já era esperado, pois nos últimos anos a frequência e a intensidade das chuvas nesse período têm sido cada vez maior.
Se não bastasse o fato das grandes cidades não estarem preparadas para receber essa quantidade de chuvas do período, a falta de planejamento urbano, com ocupações desordenadas em áreas de risco, mostra-nos que a ausência dos poderes públicos contribuiu para aumentar o impacto dessa enorme cartase social.
Em Salvador não é diferente. A cidade enfrenta os problemas da chuva a muitos anos e ainda asim, não se preparou para o lidar com essa questão. É portanto, de responsabilidade dos poderes públicos o cuidado com a segurança da população em todos os níveis sociais. Saúde, segurança pública, educação, lazer, previdência social e habitação, por exemplo, são os pilares constitucionais que garantem os direitos básicos de uma sociedade.
Murilo Fiscina Simões.