» APRESENTANDO ALTERNATIVAS PARA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA
:: Postado dia: 26/03/10
* Ivandilson Miranda Silva
É fato que vivemos um momento de pouca criatividade e muita mesmice e vazio na música popular brasileira. A canção descartável toma conta do cenário musical atual. É lógico que existem bons trabalhos, bandas inventivas, compositores, cantores com uma proposta rítmico/estética que não aderem às imposições do grande mercado fonográfico que impõe espetáculos efêmeros e novidade sem conteúdo.
O rock, reggae, samba (mais especificamente: o pagode), sertanejo, axé, MPB, funk, hip-hop, música eletrônica, sofre a influência das mudanças que estão acontecendo no mundo e tudo isso acaba reverberando na cultura.
Rapidez, impaciência, dúvidas, distopias, fobias, liquidez, desânimo, impotência, apatia e grandes mentiras que se transformam em verdades. Esse é o contexto que substitui o mundo rígido, sólido, dividido em capitalismo e socialismo, esquerda e direita, arte engajada e arte pela arte.
De 1960 para 2009, muita coisa aconteceu (maio de 68 na França, Woodstock, Movimento Hippie, Ditadura na América Latina e no Brasil, Tropicália, Bossa Nova, Movimento Punk e o fortalecimento do rock nacional (Legião, Camisa de Vênus, Titãs...)Andy Warhol (artes plásticas), Beatles sem Lennon, Mutantes, Secos e Molhados, Raulzito e os Panteras, Geraldo Vandré, Chico Buarque, Diretas Já, o Clube da Esquina, o homem na lua, Cinema Novo, Michael Jackson, Bob Marley, Tim Maia, Gonzaguinha, O Ilê Aiyê, o Olodum e as músicas dos carnavais de 80, o Manguebeat e Chico Science, Lenine, Chico César, Moska. Quanta riqueza!
Não tenho condições para lembrar tudo, mas essa relação de acontecimentos nos mostra que existe a possibilidade de produção artístico/musical de qualidade e, também, preocupada com o tipo de mensagem que será transmitida. Infelizmente vivemos a ditadura das rádios e programas de baixíssima qualidade, você acaba aprendendo por osmose (e muitos gostando) por não terem alternativa de boas programações nas rádios e nas televisões. É claro que não são todas as rádios e televisões, mas enquanto uma se compromete com uma programação de qualidade, mais de dez optam pela “bagaceira”.
Ouço vários músicos e artistas reclamando que falta espaço para trabalhos alternativos, pois a arte não deve seguir apenas um determinado estilo. A arte deve criar vários estilos e desconstruir outros num eterno inventar e reinventar. Padronizar a arte significa matar a criatividade do artista, produzir uma espécie de Frankenstein estético. É isso que acontece, quase todo mundo ouvindo a mesma coisa.
Temos hoje, vários artistas que tentam manter as suas carreiras, alguns com uma longa estrada, outros começando. Apresentarei algumas alternativas. O Circulo (banda baiana), Rita Ribeiro, Renato Braz, Roberto Mendes, Lula Barbosa, Antônio Rogério e Chico Queiroga, Ras Bernardo, Adão Negro, Emerson Nogueira, Jussara Silveira, Céu, Carlos Baby, Pedro Mariano, Simoninha, Max de Castro, Jair Oliveira, Confraria da Bazófia, Batifun, Vander Lee, Cidade Negra (nova formação), Aquarela do Samba, Mariene de Castro, Márcia Short, Negra Cor, Vânia Abreu, Péri, Pedro Luis e a Parede,Nação Zumbi, Pato Fu, Ludov, Paula Lima, Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, Wander Wildner, Catedral, Tereza Cristina.
Se não conhece alguns desses belos artistas, tens várias possibilidades de gênero para ouvir e avaliar. Existem mais músicos que não pude citar nesse texto, mas sempre estarei escrevendo sobre o tema para apontar novidades. Por um cenário artístico-musical mais amplo e que respeite todos os gêneros e não imponha qualquer tipo de massificação. É nessa perspectiva de arte que acredito.
____________________________________________________________________
*Graduado em Filosofia Pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL), Especialista em Metodologia do Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação Pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Mestrando em Cultura e Sociedade Pela FACOM/ UFBA, Professor de Filosofia e Sociologia na Fundação Baiana de Engenharia (FBE) .